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Para quem tem fome de cultura


Empresas investem em tecnologia para criar mecanismos que possibilitem acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência ao universo das artes


Por Lucas Vasques/Imagens: Divulgação

 

Um povo sem cultura não consegue se desenvolver e exercer seu papel de cidadão, criar recursos para lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. E um dos segmentos mais alijados do processo cultural brasileiro é o das pessoas com deficiência, que não recebem as mínimas condições de acessibilidade para desfrutar dos prazeres do cinema, da música, de um simples programa de TV, por exemplo. No entanto, há grupos que utilizam tecnologias de ponta para fazer com que essas manifestações cheguem tanto a quem quer consumir cultura quanto a quem deseja produzi-la.

A Iguale Comunicação de Acessibilidade é uma dessas empresas que foram criadas, exclusivamente, para pensar e desenvolver soluções assistivas completas em comunicação para pessoas com algum tipo de deficiência. Foi fundada em 2008, em São Paulo, pelo publicitário, professor universitário e empresário Mauricio Santana. Ele explica que a Iguale foi concebida para oferecer serviços e soluções, que vão além dos disponíveis nos estúdios e produtoras tradicionais de áudio e vídeo ou em agências de comunicação e internet.

“Sua missão é se especializar, de forma contínua, nas técnicas que permitam a promoção da acessibilidade, para que as pessoas garantam, com autonomia, o direito à informação, à cultura e ao lazer. Comunicação de acessibilidade consiste em criar, utilizar ou adaptar os meios tecnológicos e assistivos disponíveis para garantir o acesso ao conteúdo exibido pelos meios de comunicação e de cultura, nas suas mais diferentes manifestações, às pessoas com algum tipo de deficiência”, revela Santana.

Para colocar em prática a comunicação de acessibilidade, a empresa se especializou em audiodescrição, legendas Closed Caption e Open Caption, Libras e em acessibilidade web. A Iguale também participou do processo pela regulamentação da profissão de audiodescritor, feito oficializado no início de 2013, quando o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu a nomenclatura na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações).

No cinema e no teatro, a AD é realizada ao vivo e a narração é feita de dentro de uma cabine montada com uma visão estratégica para a tela grande ou o palco

Em relação às novidades do setor, ele conta que a área de acessibilidade e da tecnologia assistiva tem se desenvolvido nos últimos anos. “Em 2011, a audiodescrição (AD) teve sua estreia na televisão brasileira. Trata-se de um recurso, que tem como base uma narração em áudio, descrevendo o conteúdo visual de programas de TV, filmes, peças teatrais, internet e outros produtos audiovisuais, para que a pessoa com deficiência visual possa ter pleno entendimento e autonomia. A AD já é adotada, também, em outras áreas, como educação, exposições, audioguias, audiolivros, eventos, palestras e em quaisquer atividades similares. A grande aliada para o desenvolvimento da AD é a facilidade de adaptação e de incorporação em várias áreas da comunicação, informação e cultura.”

Santana ressalta que a Iguale, atualmente, estuda e experimenta alguns projetos, que oferecem um áudio descritivo, associado à experiência tátil. “Hoje, em parceria com uma empresa de serigrafia especializada em impressão Braille e acessibilidade, estamos pesquisando e testando a receptividade e o entendimento da imagem, associado à audiodescrição, com imagens disponibilizadas com aplicação de texturas e relevos diferenciados, facilitando para a pessoa com deficiência visual, também, o entendimento dimensional dos elementos visuais de uma fotografia, por exemplo.”

Para a TV, segundo o diretor da Iguale, a audiodescrição é oferecida, somente, para o sinal HD nos canais abertos. Para cinema digital, no exterior, já existem possibilidades de audiodescrição e legendagem para surdos, inseridas no filme distribuído para as salas de exibição. Para a internet, recentemente, o Blog da Audiodescrição divulgou o YouDescribe
(http://www.blogdaaudiodescricao.com.br/2013/08/youdescribe-permite- gravar-audiodescricao-youtube.html),
uma ferramenta para a gravação de descrições para vídeos do YouTube. “Não podemos considerar uma ferramenta profissional, mas o fato de sua criação, em minha opinião, é um indicador muito positivo de que a audiodescrição está crescendo e se popularizando em todo o mundo”, avalia.

 

Comunicação de acessibilidade consiste em criar, utilizar ou adaptar os meios tecnológicos e assistivos disponíveis para garantir o acesso ao conteúdo cultural

 

No cinema e no teatro, a AD é realizada ao vivo, junto à exibição, e disponibilizada ao público por meio de equipamentos eletrônicos, comuns na tradução simultânea (receptores com fone de ouvido). A narração é realizada de dentro de uma cabine montada com uma visão estratégica para a tela grande ou o palco.

Mauricio Santana: “A grande aliada para o desenvolvimento da AD é a facilidade de adaptação e de incorporação em várias áreas da comunicação, informação e cultura”

“Recentemente, desenvolvemos um player MP3, com conteúdo audiodescrito, para a adaptação personalizada na exposição Sentir pra ver, da Arteinclusão, a pedido da curadora Amanda Tojal. É uma solução pensada e programada para ser acessível à pessoa com deficiência. Tem, apenas, um botão de comando para as diferentes funcionalidades e com possibilidade de atualização de conteúdo por meio de cartão de memória”, explica.

Santana participou, recentemente, do 5º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência, em São Paulo. “Foram três apresentações e a discussão maior foi sobre a audiodescrição na TV. Um dos problemas centrais abordados foi que, apesar da AD e do Closed Caption terem sua disponibilização regulamentada por lei, os usuários e assinantes de TV têm problemas para acessar os recursos. Muitos não têm o sinal repassado para as residências.”

Para corroborar a necessidade de que este e outros problemas do tipo sejam solucionados, é sempre bom lembrar do artigo 17 da Lei 10.098, que ficou conhecida como Lei da Acessibilidade: “O Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, para garantir-lhes o direito de acesso à informação, à comunicação, ao trabalho, à educação, ao transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer”.

 

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