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Entrevista

Emprego ou desafio?


Perspectivas de trabalho para as pessoas com deficiência nas palavras de Marcelo Vitoriano e Alexandre Magnavita Gaschi


Por Lucas Vasques

Fotos Arquivo pessoal
Vitoriano: "Sem dúvida, o estar incluído permite que as pessoas com deficiência tenham voz"

A questão da empregabilidade da pessoa com deficiência continua sendo um desafio. Contudo, especialistas atestam que a evolução é irrefreável. Marcelo Vitoriano, mestre em Psicologia da Saúde, tem ampla experiência em coordenação de projetos na área de inclusão de pessoas com deficiência e desenvolve esse trabalho à frente da gerência nacional de capacitação e inclusão profissional da Avape (Associação para Valorização da Pessoa com Deficiência). Ao lado de Alexandre Magnavita Gaschi, advogado do setor jurídico do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), cadeirante e militante da causa desde 1996, falam à Sentidos sobre as perspectivas em relação ao tema.

Quais os principais avanços na questão da empregabilidade da pessoa com deficiência, em face principalmente do preconceito?
Marcelo Vitoriano - O principal avanço que percebo é, sem dúvida, que hoje podemos ver as pessoas com deficiência participando da sociedade de forma mais natural, sem causar estranhamento em pessoas que não têm deficiência. Há poucos anos, muitas famílias achavam que seus filhos com deficiência deviam ficar em casa. Atualmente, as pessoas começam a se expor mais na sociedade, tornam- -se consumidoras de cultura, lazer e outros serviços, melhorando, assim, sua independência e autonomia. Sem dúvida, tudo isto está acontecendo no Brasil, como consequência da Lei de Cotas, que fez com que tenhamos mais de 300 mil pessoas com deficiência trabalhando formalmente. Um grande pensador brasileiro diz que só por meio do trabalho as pessoas se integram completamente na sociedade. E é o que está acontecendo com uma parcela das pessoas com deficiência no Brasil.
Alexandre Magnavita Gaschi - Na realidade, o avanço ocorreu e ocorre a passos de tartaruga. Desde a obrigatoriedade legal da cota em empresas privadas, em 1991, não houve uma política pública de educação que viesse, ao longo dos anos, quebrando o preconceito em face do segmento. Atualmente, a discriminação persiste, mas de forma politicamente correta.

O que quer dizer quando fala de política pública de educação?
Gaschi - Quando me refiro à política pública de educação, reafirmo o que é notório: apesar de o Poder Público dizer que 97% das crianças estão matriculadas nas escolas públicas, o ensino é de péssima qualidade, transformando uma segunda geração, desde 1988, em analfabetos funcionais. Como um país em desenvolvimento pode ter qualquer chance de se transformar socialmente com uma população que se mantém praticamente analfabeta? A única oportunidade de minimizarmos as mazelas sociais concentra-se na educação pública de massa e extremamente qualificada. A ignorância é tanta que as pessoas acham que as leis modificam a sociedade e sabemos que somente a educação tem tal poder. Portanto, a posição de alijar segmentos sociais da igualdade de oportunidades se mantém inabalável.

Como se dá essa discriminação politicamente correta?
Gaschi - A discriminação não é exatamente em face da empregabilidade da pessoa com deficiência, mas contra tudo que não seja orientado pelo modelo social adotado pelos big brothers da vida. Aí, reside a expressão politicamente correta, isto é, velada, o que significa que uma parte da sociedade, pela falta de educação e de aceitação às diferenças, não mais impede diretamente as pessoas com deficiência de exercer seus direitos, mas cria empecilhos tais que dificultam, como no caso, a inserção no mercado de trabalho. Um exemplo comum no momento da contratação é o de afirmar que o segmento de pessoas com deficiência não tem qualificação. É a pessoa com deficiência ou o brasileiro em geral? Realmente o brasileiro não é qualificado.


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Edição 83 | EXPEDIENTE
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