 Um militante da deficiência
Conheça a história de superação e luta do paraibano Cândido Pinto Melo durante toda a sua vida Por Por Alba Damasceno / Fotos: Divulgação / Memorial da Inclusão
No dia 4 de maio de 1947, nascia em João Pessoa, na Paraíba, Cândido Pinto Melo. Figura que anos depois se tornaria líder estudantil e militante na luta pela democracia e pela inclusão das pessoas com deficiência.
A história de superação de Melo começou em Recife, cidade onde fixou morada e ingressou no curso de Engenharia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Nesse período, ele se engajou na luta pelos direitos estudantis, tornando-se presidente da União Estadual dos Estudantes de Pernambuco, entidade que resistia bravamente à ditadura militar.
A paixão pela justiça motivava Melo que, por essa razão, participava da organização de assembleias, promovia reuniões com estudantes e membros da sociedade a fim de fortalecer as manifestações contra a repressão do governo.
O jovem universitário tornou- se aliado do Partido Comunista Revolucionário Brasileiro (PCBR) e também participou do Diretório Central Estudantil da Faculdade de Engenharia Eletrônica da UFPE.
Por sua articulação, o então estudante levou dois tiros: um de raspão no rosto, e o outro na coluna, que o deixou paralitico
Um dos episódios mais marcantes da vida do militante aconteceu no dia 11 de outubro de 1968. Melo tinha sido escolhido para representar o estado de Pernambuco no 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) - reunião da resistência estudantil que seria realizado em Ibiúna, município paulista localizado a 70 Km da capital - e acabou sendo preso com outros estudantes, pois o encontro tinha sido descoberto pelos militares. Porém, no ano seguinte, a perseguição militar traria danos irreversíveis. Na noite de 22 de abril de 1969, enquanto aguardava o ônibus depois de passar o dia planejando uma assembleia estudantil, Melo viu uma caminhonete se aproximar. Dentro do veículo, três homens encapuzados tentaram o levar à força, ao reagir, o estudante levou dois tiros, um deles passou de raspão no rosto, o outro atingiu sua coluna e o deixou paralítico.
E mesmo sob cuidados médicos, Melo não teve sossego. Em frente ao seu quarto, havia guardas armados que o vigiavam e o impediam de ter contato com seus familiares.
A perseguição, no entanto, não foi empecilho para que estudantes que lutavam ao seu lado protestassem diante do hospital onde o companheiro havia sido internado.
| Curiosidades |
| O Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes, 21 de setembro, instituído em 1982, foi proposta de Cândido. |
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