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Guia de Relacionamento

Dicas de Relacionamento com a Deficiência


Por ser cada vez mais comum a participação de pessoas com deficiência em eventos sociais ou em seminários e convenções, as empresas que organizam esses encontros devem estar atentas à estrutura e principalmente ao atendimento pessoal.


Por Priscila Sampaio Fotos Shutterstock


Por ser cada vez mais comum a participação de pessoas com deficiência em eventos sociais ou em seminários e convenções, as empresas que organizam esses encontros devem estar atentas à estrutura e principalmente ao atendimento pessoal. Muitas vezes, a ausência de acessibilidade e o não cumprimento de normas ocorrem por falta de informação. Dando continuidade à edição passada, SENTIDOS traz dicas de como receber esse público.


De acordo com Thais Frota, arquiteta especialista em acessibilidade e proprietária da empresa Arquitetura Acessível, todo evento planejado com adaptações evita gastos e consegue atender às necessidades do público com deficiência. "Basta usar a criatividade. Muitos recursos, como tablados para elevar o anão à mesa de café, são móveis e poderão ser usados em outras ocasiões. Se o evento for muito grande e não tiver toalete adaptado, por exemplo, o sanitário químico acessível pode ser alugado. Não é o ideal, mas é melhor do que não ter."


Ao escolher o local, a organização deve pesquisar sobre as condições de acessibilidade estruturais. É importante saber se o espaço conta com elevadores e plataformas elevatórias, e checar se eles estão funcionando. "Alguns organizadores não se atentam às questões de acessibilidade. Ao aparecer alguém que necessita desses recursos, ficam perdidos e jogam a culpa no espaço, que por sua vez não se responsabiliza pela recepção dos participantes", afirma a arquiteta.

Fotos Shutterstock
A organização, ao escolher o local, deve pesquisar as condições de acessibilidade estruturais
Autismo
Algumas pessoas com autismo têm dificuldade de permanecer em locais movimentados e com diversos sons. É previsível que um participante com autismo levado a um evento já esteja apto a frequentar locais de uso coletivo. Mas é importante que a recepção procure se comunicar com o autista. Caso ele não responda, fale com o acompanhante, pergunte qual é o grau de autismo, o tempo que ele consegue ficar sentado em um mesmo local e particularidades de sua participação em outros eventos. Uma das características do autista é a rotina. Na entrada, entregue o folheto com a programação do evento e conte passo a passo o que ocorrerá, explicando, por exemplo, que ele deverá ficar sentado durante as apresentações, que haverá intervalo para o almoço, a hora de retornar à sala e o encerramento. O evento deve fornecer a programação em um folheto escrito, com desenhos e palavras chaves. Alguns autistas conseguem ler, outros só entendem por meio de figuras. A programação precisa cumprir o horário. "Pessoas com autismo são muito pontuais. Se no cronograma está marcado que o café é às 10h, elas levantam de onde estão e se encaminham para o local indicado. A recepcionista precisa perguntar ao acompanhante se é possível conseguir segurá- lo, se houver atrasos; se não for, deixe-o antecipar o café", diz Márcia Paulici, coordenadora geral das unidades da Associação de Amigos do Autista de São Paulo (AMA). É necessária uma sala reservada, pois, caso o participante com autismo tenha um comportamento inadequado, o acompanhante poderá levá-lo a esse local e tentar acalmá-lo para retornar ao evento. "A organização deve respeitar e evitar a exposição. Por isso, o recomendável é acomodá-los próximos à porta, para que se retirem do ambiente rapidamente se houver algum imprevisto", conclui Márcia.

Nanismo

As adaptações devem ser pensadas desde o estacionamento. É importante deixar algumas vagas ao lado da entrada do espaço, pois os carros de anões são adaptados e os manobristas de serviço de vallet não estão habilitados a conduzir o veículo. Por isso, o próprio motorista pode estacionar - o que não o isenta do pagamento, mas evita problemas. O que mais incomoda pessoas com nanismo é a falta de sensibilidade das recepcionistas. Leo Fernandes, proprietário da LC5 Anões em ação, tem 1,38 metro e fala que não é necessário mandar fazer um balcão com menos de 1 metro - uma mesa que permita à atendente falar olhando para seu rosto é o suficiente. "A comunicação agradável é a melhor adaptação que podemos ter. Mesmo que seja um balcão comum, a pessoa pode se levantar e ir até o anão para pegar os dados e retornar ao computador, o que evita constrangimento e a má postura do profissional", fala Fernandes. Na mesa de café, é importante ter um tablado ou uma espécie de banco pequeno para o anão subir e se servir. Se a mesa for comprida, coloque mais de um - de maneira que sejam fáceis de movimentar. Se o evento oferecer almoço, deixe uma pessoa à disposição no bufê para montar o prato. Em palestras, reserve os lugares nas primeiras fileiras. A acessibilidade do banheiro também é fundamental. A organização deve checar se o local tem vasos sanitários baixos, e não os infantis. "Os anões que têm acondroplasia (membros curtos, porém o corpo é de adulto) não acomodam o quadril nos vasos sanitários infantis", diz Leo Fernandes. Ainda no toalete, é importante deixar a porta de entrada aberta, e no feminino, os ganchos para pendurar a bolsa também devem ser mais baixos. Uma das principais falhas em adaptações é a altura da pia para lavar as mãos - uma forma de acesso (tablado ou pias mais baixas) deve ser exigida pela empresa organizadora ao responsável pelo espaço.


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