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Namoro Sério


Pessoas com síndrome de Down têm relacionamentos assim... Famílias compartilham experiências e especialistas dão dicas para que, no compromisso entre esses jovens, o amor e a informação superem qualquer barreira ou preconceito.


Por Priscila Sampaio Fotos Ricardo Alcará e Shutterstock


Fotos Ricardo Alcará e Shutterstock
Medicina mais preparada para a síndrome: hoje há um maior esclarecimento sobre sexualidade
Tabu há tempos
Na opinião da especialista, é comum alguma dificuldade da família em aceitar que seu filho ou sua filha está namorando, que tem um sentimento de amor pelo sexo oposto. Afinal, no nascimento da criança era normal que médicos alertassem para o fato de que a pessoa com Down morreria na adolescência ou viveria somente dentro de casa, sem planos de vida. Foi exatamente o que Eli Nogueira de Almeida, pai de Luiz Otavio e presidente da Adid, escutou do pediatra. "A primeira pergunta que fiz ao médico foi sobre a sexualidade. O profissional disse que Luis não teria apetite sexual. Quando meu filho estava com 15 anos, vi que errou." Luis Otavio apresentou ereção, desejos e sua primeira namorada. Eli Almeida viu-se em uma nova realidade e tratou de cuidar disso. "Eu conversei tudo com ele, desde sobre conhecer uma garota até sobre ejaculação."

* Vamos Juntos é um grupo que reúne pessoas com deficiência intelectual e síndrome de Down, para o lazer (parque, cinema, bares e restaurantes). O intuito é promover o convívio social sem a presença de algum familiar. Os participantes passam a ter compromissos com amigos. Os fundadores José Henrique Gabbay, Lia Ades Gabbay e Maria Fernanda de Almeida, todos com formação ligada à inclusão social, acreditam que esses encontros promovem bem estar no participante e estimulam a independência (supervisionada) da pessoa com deficiência. www.vamosjuntos.com.br


Fotos Ricardo Alcará e Shutterstock
Otavio: "eu amo Dani e tudo nela!"

A união familiar
Mas para que um relacionamento seja positivo, as famílias precisam estar de comum acordo. Não adianta um dos jovens receber todas essas informações e a outra parte não ter qualquer apoio. "Quando o filho conta aos pais que está namorando, uma das primeiras preocupações é saber se a família do namorado ou da namorada concorda com o envolvimento. Nesse momento é necessária muita franqueza, pois o namoro pode chegar ao casamento, e por isso a posição, a verdade, deve ser estabelecida desde o início", conclui Angela Maize.
Uma ponderação que a psicóloga faz é que, se o filho foi estimulado para ser incluído socialmente e ter uma vida comum, a estimulação deve ser global e não excluir o emocional. Essa opinião é partilhada por Eliana Maria de Almeida, mãe de Luis Otavio. Quando o rapaz disse: "Mãe... [um forte suspiro] estou namorando a Dani", a primeira atitude dela foi ligar para a casa da moça. "Conversei com a mãe dela e procurei aproximar as duas famílias. Hoje viajamos juntos e os dois passeiam como qualquer casal de namorados. É um direito fazer projetos de vida e um deles é ter o amor", pensa Eliana.

Era normal que médicos alertassem para o fato de que a pessoa com Down morreria na adolescência


De acordo com a mãe, uma das razões para que as famílias concordem com o relacionamento é fazer com que a pessoa se sinta acolhida na casa e passe a participar de festas e eventos familiares. Isso só traz resultados positivos. "Luis Otavio tem preocupação em se manter bem vestido, em dizer que está feliz e sentir-se como seus irmãos, que também namoram; as diferenças diminuem", finaliza a mãe do rapaz.
Esse é o mesmo ponto de vista de Linalva Regina Lamim, mãe de Daniela. "Ela começou a ter contato com mais pessoas, a ter compromissos, além dos nossos. Ela se sente como seus irmãos, que sempre a trataram como igual. Tanto que ela tem conversado conosco seriamente sobre casamento, assim como os demais."

Namorar, quando os irmãos sem a síndrome também namoram, faz as diferenças diminuírem

Linalva percebeu que a puberdade da Dani chegou aos 18 anos. A partir de então, procurou escutá-la mais e responder a todo tipo de pergunta que a filha fizesse.


O amor

Luis Otavio aprendeu a ser cavalheiro, abre a porta para a Daniela, deixa a moça passar primeiro e a apresenta a todos como sua namorada. Dani, com invejável segurança, afirma que ama seu namorado e diz que gosta do jeito que ele a trata, com "muito carinho". A jovem adora vê-lo de terno e conviver com a família dele, e Luis faz questão da presença da namorada no dia a dia e com um sorriso de orelha a orelha declara: "Eu amo a Dani e tudo nela!".

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