 Olhar por trás da câmera
Ele não acreditava que seria capaz de fotografar sem ver, mas ignorou todos os obstáculos e tornou-se fotógrafo profissional
Por Sibele Oliveira Fotos Divulgação
Antônio Walter Barbero, de 28 anos, percebeu que podia enxergar além do que seus olhos conseguiam ver durante um passeio às margens do lago de Lugano, na Suíça, em 1997. Como ele não queria que o pai estivesse ausente no álbum de viagem e não havia outras pessoas por perto, decidiu empunhar a máquina fotográfica analógica e clicá-lo mesmo sem o enquadramento ideal. Quando o filme foi revelado, a família ficou impressionada com a qualidade da imagem. Teco, como é conhecido desde a infância, não sabia que naquele momento estava superando mais um dos muitos limites que foram colocados em seu caminho ao longo dos anos. Da mesma maneira que a personagem de Björk encheu sua vida de leveza com a dança no filme "Dançando no Escuro", ele descobriu um dom através daquela câmera e passou a espalhar seu olhar pelo mundo.
Teco nasceu com persistência de vítreo primário hiperplásico, uma doença que normalmente condena suas vítimas à cegueira total. Quando chegou a hora de começar a estudar, os pais optaram por matriculá-lo em uma escola comum, mesmo sabendo que ele seria o único aluno com deficiência visual da sala. E logo as primeiras dificuldades começaram a aparecer. O menino não podia ler e escrever como os demais e também não se adaptava bem à leitura em braille. Sua sorte foi contar com o auxílio de uma tia que trabalhava no colégio, e ficava ao seu lado durante as aulas, e com o carinho dos colegas que estavam sempre dispostos a ajudá-lo. Foi nessa época que, sem querer, ele causou uma grande confusão. Como seus olhos tremiam muito, ele os segurava com os dedos indicadores. Presenciando a cena, os colegas entendiam o gesto como uma brincadeira e passavam a imitá-lo. E um batalhão de pais foi parar na porta da escola para saber o que estava acontecendo.
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