 Sem fronteiras
Cursos de educação a distância promovem cidadania e inclusão social
Por Cynthia Marafanti
Educação a distância somente no nome
Saber se a EAD é mais ou menos eficaz é uma questão muito pessoal. Depende do objetivo e da disposição de cada aluno ao encarar o curso. Mas o que não dá para negar é que o ensino a distância pode atingir um número muito maior de pessoas e já representa a realização de um sonho para quem não tem facilidade de locomoção.
Aos oito anos, Daniela Caburro teve poliomielite, ficou tetraplégica e adiou um sonho: estudar com os irmãos, em uma escola normal. Na década de 1980, as pessoas não tinham muito conhecimento sobre a capacidade de estudantes com deficiência, os colégios públicos não ofereciam adaptação e acessibilidade, por isso, o sonho prolongou-se um pouco mais. Somente aos 12 anos, quando conheceu alguns professores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-SP) pôde ser matriculada na 2ª série do ensino regular. Para ela foi uma felicidade ter a oportunidade de conviver com colegas sem deficiência. "Eu estudava com a minha irmã. Ela e todos os alunos sempre me ajudaram, pegando um livro, algo no estojo ou folheando o caderno, já que eu consigo escrever, mesmo com dificuldades, com a mão direita. Mas, infelizmente, sai da escola no quinto ano porque tinha dores no corpo por ficar muito tempo sentada, mesmo usando uma poltrona especial, feita na universidade exclusivamente para mim". Determinada, nunca se conformou em ter deixado o colégio e foi atrás de uma alternativa para concluir os estudos, se matriculou no Telecurso e concluiu o ensino fundamental.
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