 Web ao alcance de todos
Empresas e ONGs aproximam as pessoas do mundo virtual Por Sibele Oliveira
Numa época em que a alfabetização digital começa cada vez mais cedo, realizar as diversas tarefas pelo computador pode parecer um ato tão simples como andar de bicicleta. Mas no caso das pessoas com deficiência, esse universo aparentemente livre e sem fronteiras esconde obstáculos que necessitam de "atalhos" para serem superados, ou seja, computadores adaptados com softwares específicos, teclados especiais, instalações projetadas de acordo com a necessidade dos usuários e instrutores preparados para ensinar a driblar limitações. A boa notícia é que a acessibilidade digital está deixando de ser um tema presente apenas em debates acadêmicos e discursos políticos.
 |
|
A informática é uma importante aliada da educação, mas, de um tempo para cá, ela também tem sido usada como instrumento de reabilitação em pessoas com os mais variados tipos de deficiência. No projeto Comunicação Alternativa, da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Campo Grande (MS), o computador é usado para estimular o desenvolvimento cognitivo desde crianças a partir de 6 anos de idade até adultos com deficiência intelectual. Os alunos costumam trazer temas de interesse e dúvidas levantadas nas salas de aula, que são discutidas pelos professores da Apae. Como a iniciativa só começou a ser colocada em prática no início deste ano, os participantes ainda são poucos, não passam de 30, mas os resultados surpreendentes indicam que esse número tende a crescer rapidamente. "Temos alunos com alteração motora gravíssima, com paralisia cerebral acompanhada de atraso mental que tiveram ganhos expressivos tanto aqui como na escola comum", atesta Adriane Possari, fisioterapeuta e coordenadora do Projeto de Atendimento Educacional Especializado para Deficientes Intelectuais.
 |
|
Segundo a fisioterapeuta, parte do sucesso do tratamento se deve ao interesse dos alunos. "Todos os estímulos são importantíssimos, mas hoje, com a era da tecnologia, nós procuramos oferecer para nossos alunos essa possibilidade porque é um estímulo que tem uma resposta muito rápida. Ainda não temos programas sofisticados, mas o básico já proporciona uma enorme evolução pedagógica e motora. Uma evolução global, que não contempla apenas a parte física, mas também a sensorial e cognitiva", explica.
1 | 2 | 3 | Próxima >>
|