 Difícil Decisão
Conheça histórias de famílias que decidiram internar seus parentes em abrigos especiais Por Priscila Sampaio Fotos: Hélio Norio
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Paciente em oficina terapêutica |
A decisão de colocar os filhos ou algum parente com deficiência intelectual em abrigos com atendimento especializado é o melhor caminho para o seu desenvolvimento? Para os familiares, essa é uma pergunta difícil de responder. Como dizer para uma mãe que teve quatro filhos com déficit intelectual que é necessário interná-los? Além disso, qual seria a razão de não conviver com o irmão que precisa de cuidados especiais e atenção? Nessa reportagem, trouxemos histórias que mostram a realidade de famílias que tiveram de lidar com o impasse.
De acordo com o Censo 2000 do IBGE, há quase 2,9 milhões de pessoas com déficit intelectual no Brasil. Dentro desse número estão Eliete, João, Edson e Regiane, filhos de Dionísia Santos. Das seis crianças que teve, quatro nasceram com a deficiência em razão de um problema congênito.
Dionísia veio da Bahia para São Paulo em 1973, ano em que Eliete - a primeira filha a apresentar o déficit - nasceu. Como na época pouco se falava em deficiência, nenhuma das crianças fez o teste do pezinho ou qualquer outro exame que pudesse diagnosticar o problema. No caso de Eliete, Dionísia percebeu que havia algo de errado, pois a menina começou a se sentar apenas aos sete meses de vida, além de ter um jeito diferente de olhar para os pais. "Eu não sabia o que ela tinha. Os médicos mal olhavam para minha filha. Então, conformava-me em pensar que Deus quis assim."
Com os outros três filhos a situação foi a mesma. Pela difi- culdade em obter atendimento médico especializado, após o nascimento de João, Dionísia resolveu fazer ligadura de trompas. Porém, não conseguiu vaga na rede pública para realizar a operação, então, vieram Edson e Regiane. Somente no início dos anos 80, ela finalmente fez os exames nos quatro filhos, no qual foi constatada deficiência intelectual com nível severo.
A decisão
Após a confirmação, a mãe passou a ser dedicar inteiramente a seus filhos. Em 1982, quando Eliete tinha 9 anos, João 8, Edson 3 e Regiane 2, o deputado Mantelli Neves e sua esposa Terezinha, assistente social, se interessaram pelo caso de Dionísia e tentaram mostrá-la a necessidade de interná-los em um abrigo. Logo veio a recusa: "Eu falei à dona Terezinha que meus filhos não tinham cura e não iria me separar deles. Achava que seria traição e abandono interná-los. Para mim, filhos com problemas são os drogados ou com má conduta", desabafa emocionada.
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