 Pequenas e grandes pessoas
Em busca de sonhos, os anões vencem os obstáculos que enfrentam no dia a dia Por Renata Maria

" Não seleciono meus amigos pela estatura deles e sei que eles fazem o mesmo". - Maria Rita |
Todo ser humano passa por dificuldades durante a vida, afinal, quem nunca recebeu um "não" após uma entrevista de emprego? Agora, imagine receber 25 negativas seguidas? Isso faria com que muitos otimistas desistissem de exercer a profissão, inclusive os de estatura "normal", mas para a enfermeira Kênia Hubert, 53 anos, anã, o preconceito só serviu como combustível para que ela lutasse em busca do que acredita. "Me questionavam sobre protocolos de atendimento no caso de uma parada cardíaca, por exemplo, e, algumas pessoas, chegaram até a duvidar que eu realmente fosse formada. Trabalho há quase 30 anos na Beneficência Portuguesa, única instituição que me deu uma chance, e ainda sofro com discriminação diariamente", conta.
Casada com o publicitário Hélio Pottes, 53 anos, que também é anão, Kênia teve uma filha, Maria Rita, e juntos enfrentam os obstáculos de viver em um mundo feito para gente grande. Eles destacam que, o pior preconceito, está na falta de acessibilidade em geral, e não só na cabeça ou atitude das pessoas. "O desrespeito faz parte da nossa vida, além das dificuldades no cotidiano, já que tudo é pensado para as pessoas altas", comenta Hélio. As dificuldades que fazem parte da rotina dos três é a altura que os degraus e barras de apoio nos ônibus possuem; sem adaptação ou ajuda é quase impossível usar um caixa eletrônico ou pedir uma informação em balcão público; os banheiros, elevadores, as gôndolas de supermercado sempre são inacessíveis. Uma simples maçaneta como aquelas redondas, por exemplo, pode ser uma barreira na vida de quem tem menos de um metro e pouco de altura.
Os casos de nanismo não são algo raro no Brasil. A cada 25 mil nascimentos, um pode ser anão. E algo que impressiona é quando um casal de anões torna se pais. Kênia e Hélio são questionados sobre a gestação da filha. "Foi tudo normal, inclusive o nascimento dela. Quando Maria Rita entrou na adolescência, chegou até a perguntar por que decidimos aumentar a família se a probabilidade do nanismo era grande. Depois, passou essa fase de revolta e, hoje, ela entende que pode e deve levar uma vida normal", fala Kênia.
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