 Futebol é aqui!
Como estão os planejamentos arquitetônicos para a Copa Mundial no Brasil? Por Victor Ferreira
Na defesa para a candidatura vitoriosa do Brasil com o fim de sediar a Copa do Mundo de 2014, garantiu-se naquele momento que este seria o mundial "verde". Certamente estavam de olho no tema do momento, a sustentabilidade ecológica. Porém, poucos sabem que, por trás das refor- mas e construções milionárias de estádios, existe uma promessa de revolução silenciosa com nome de "acessibi- lidade". Silenciosa porque pouco se fala das adaptações que as arenas da Copa terão de fazer para permitir que pessoas com deficiência física engrossem a torcida no mundial. A integração é tão obrigatória quanto a presença da Seleção Canarinho. Fifa, Estatuto do Torcedor e leis municipais e estaduais espalhadas Brasil a fora garantem esse direito.
A partir deste ano, os projetos de estádios das 12 cidades- sede terão de começar a sair do papel. Com as obras ainda para começar, detalhes técnicos das plantas deverão ser elaborados e são guardados a sete chaves sob orientação da Fifa. Mas a entidade máxima do futebol antecipa al- guns detalhes. No manual técnico em que a Fifa dá dire- trizes para construção de estádios, há uma série de man- damentos só para tratar de acessibilidade. São eles:
Acessos: Pessoas com deficiência devem ter as mesmas opor- tunidades daquelas que não possuem mobilidade reduzida, e isso inclui acesso adaptado em todas as entradas, inclusive áre- as VIP, de imprensa, competição e vestiários.
Arquibancada: O hábito de acomodar pessoas com cadei- ras de rodas no térreo da arquibancada, ao lado do gramado, está com os dias contados. O objetivo é poupar esse espectador de boladas ou objetos jogados pela torcida; o espaço para ca- deiras de rodas deve estar protegido de forma que pessoas de pé ou bandeiras não encubram a visão do gramado. Há no manual pontos importantes como a reserva de um lugar para o acompanhante e a obrigatoriedade dos projetos de estádios passarem por uma consultoria especializada, a fim de garan- tir que tudo esteja de acordo com padrões internacionais de acessibilidade. Além disso, há a exigência de que cada acomo- dação para cadeira de rodas tenha uma tomada elétrica. "Não há dúvidas de que vamos cumprir as regras da Fifa e também seguiremos as normas brasileiras" diz o arquiteto Carlos Arcos, responsável pelo projeto de reforma da Arena da Baixada, em Curitiba, que teve orçamento inicial estimado de até R$ 140 milhões e deverá abrigar 41 mil torcedores.
Quando Arcos menciona as normas brasileiras, ele se refere à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) so- bretudo à NBR 9050, que estabelece regras às condições de acesso e instalações adaptadas para pessoas com deficiência física. Lá estão escritas algumas obrigações que poucos está- dios do país têm hoje, inclusive parte dos que serão usados para o mundial. O manual estabelece distância mínima en- tre assentos para quem possui mobilidade reduzida, inclu- sive área de manobra: 80 centímetros de comprimento por 120 centímetros de largura, mais 30 centímetros para área de manobra da cadeira. Mas, neste ponto, é bom que os ar- quitetos da Copa fiquem de olho. Os padrões Fifa são mais exigentes e determinam dimensões de 90 cm x 140 cm.
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