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 A arte imita a vida
A TV traz à tona um problema enfrentado por muitos brasileiros: o drama de adquirir uma deficiência do dia para a noite Por Renata Maria
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| Flávia ao centro, com Patrícia Carvalho, Mateus Solano, Iara Mendes, Gisele Bezerra e Alinne Moraes |
Quem acompanha o sofrimento de Luciana, interpretada por Alinne Moraes na novela "Viver a Vida" (Rede Globo), se emociona com facilidade, afinal, a dificuldade imposta em tarefas simples, como sentar-se na cama, por exemplo, torna-se um verdadeiro obstáculo para alguém que sobreviveu a uma fatalidade e virou cadeirante. "A cada cena tentamos ilustrar com riqueza de detalhes a luta por um movimento básico, como encolher os dedos da mão, conquistado dia após dia, com muito esforço, dedicação e fé", explica Flávia Cintra, a jornalista paraplégica que é consultora da emissora e acompanha fielmente todos os movimentos da atuação da atriz.
Para a preparadora de elenco, Patrícia Oliveira, um dos grandes desafios da atriz é passar todos os sentimentos da personagem pelo rosto, sem a ajuda dos movimentos do braço, por exemplo. Por isso, Alinne passou por uma preparação rigorosa e ainda conta com a assistência constante de uma equipe. "Logo que nos conhecemos, Flávia e eu fizemos diversos laboratórios para que eu me aproximasse da imobilidade, da fragilidade e da angústia natural de alguém que passa por um acidente como o de Luciana. Assistimos a filmes, trocamos experiências, falamos sobre as sensações, os pensamentos e, muitas vezes, nos emocionamos juntas", revela Alinne. Atualmente, ela está no processo de construção da expressão corporal na cadeira de rodas. "Estamos descobrindo o que ela poderá fazer e crescendo com a personagem. Esse papel é com certeza um divisor de águas em minha carreira. Aprendo, descubro e me entrego a cada etapa", diz a atriz.
Na verdade, com a história de Manoel Carlos, vem à tona um assunto polêmico e forte: o preconceito social que vitima pessoas com deficiência. "Esse público se deparam com uma frustração muito grande e, de repente, percebem que o mundo não vai parar para recebê-las de volta", desabafa Alinne.
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