 Educação: A porta de escape
A instituição Corbi oferece opções culturais e educacionais para as crianças carentes do subúrbio do Rio Por Victor Ferreira Fotos Divulgação Movimento Re(ha)bilita Rio
Engana-se quem acha que os problemas de convívio social vêm só com a hiperatividade, como o caso de Pedro Paulo. A timidez em excesso também traz sequelas. Thaiany Ferreira de Carvalho tem atividades há quatro anos no casarão de Inhaúma. Está com 12 anos e é considerada pela mãe muito introspectiva, mas melhorou desde que chegou ao Corbi.
“Thaiany era minha sombra. Era uma pessoa fechada e tinha bastante insegurança para fazer as coisas”, descreve a mãe Maria da Glória Ferreira.
Segundo Maria da Glória, a evolução de Thaiany é atribuída às aulas de música. A expressão artística é um dos pontos fortes do Corbi, que dá aula de violão, percussão e canto. Outro destaque do centro de orientação é o atendimento às crianças com deficiência física. Apesar de estar instalado em cômodos que não foram projetados para cadeirantes, com o decorrer dos anos, tudo foi adaptado. Rampas, portas largas e banheiros deixaram de ser excludentes. No Corbi, atender bem as pessoas com deficiência física é como formar um oásis numa região com urbanização precária e onde a violência é comum.
O Instituto oferece assistência aos colégios da região, como é o caso da Escola Municipal Henrique Foréis, na Fazendinha. Em 2006, houve um tiroteio que feriu 17 crianças e uma delas se tornou cadeirante e hoje é aluno da Corbi. A escola ficou prestes a ser fechada por falta de segurança e no mês de novembro, homens da Polícia Militar tiveram de tapar, com concreto, buracos usados como trincheiras em acessos ao Complexo.
No entanto, quanto ao Corbi, o fato de fazer o bem lhe traz segurança. Em Inhaúma e nos bairros vizinhos, criança que anda com o uniforme do movimento Re[ha]bilita Rio tem respeito na vizinhança. E tal processo conquista os pais, que buscam ajudar de alguma forma o trabalho realizado pelo Corbi. A solução encontrada pela coordenação foi criar o “Plantão Voluntariado”, que consiste em cadastrar os pais em serviços dos mais variados, como portaria, para entregar os alunos na hora da saída, até os serviços mais burocráticos da administração do local. Até ajuda em moeda é bem-aceita. Em parceria com a concessionária que administra a Linha Amarela – via expressa que liga as zonas norte e oeste – o troco do pedágio pode ser depositado em cofrinhos que irão integralmente para a instituição de Inhaúma.
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