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Educação: A porta de escape


A instituição Corbi oferece opções culturais e educacionais para as crianças carentes do subúrbio do Rio


Por Victor Ferreira Fotos Divulgação Movimento Re(ha)bilita Rio

“Os jovens acabam sendo discriminados pelos distúrbios da fala. Já as mães vivem ‘metralhando’ os filhos, não conseguem ver qualidades neles, outros tipos de inteligência. A leitura de mundo que eles têm na favela é completamente diferente. Veem o traficante armado dando dinheiro em festas e acham que outras profissões, apesar de dignas, não valem a pena”, conta a fonoaudióloga.

Para as aulas, são utilizados métodos pedagógicos divertidos que prendem a atenção dos alunos

Há 22 anos, o Corbi tem como lema formar cidadãos e, para tanto, se soma ao movimento Re[ha]bilita Rio, rede formada por três organizações não-governamentais, que, além do centro de orientação, tem a Associação de Assistência à Criança Surda, em Vila Isabel, e a Sociedade Beneficente de Anchieta, todas na zona norte. No Corbi, as crianças são ocupadas o dia todo com atividades, antes ou depois do horário do colégio. Recebem reforço escolar, aula de capoeira, informática, artesanato, música, dança e oficina de fotografia. Ou seja, além da parte terapêutica com psicólogos, psicomotricistas e afins, o Corbi faz aquilo que uma escola em tempo integral deveria fazer, mas que as crianças da região pouco têm acesso.

“A ocupação por atividades é exatamente para tirar as crianças do convívio com a marginalidade, pois sabemos que, na maioria das vezes, a figura do pai é inexistente e a mãe passa o dia fora para conseguir o sustento do filho. Queremos resgatar a criança antes que ela se torne agente do tráfico”, prossegue Denise, reconhecendo que o menor de idade com distúrbios de comunicação e aprendizado na favela é cobiçado pela marginalidade.

Maria Fernanda Silva é mãe de Pedro Paulo, de 12 anos, que foi trazido ao Corbi há pouco mais de um ano sob recomendação da escola municipal em que estuda. Moradora do Complexo, seu filho com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) tinha dificuldades em ficar em sala de aula. O centro tem um programa só para treinar professores da rede pública da região para que ajudem a identificar os alunos com distúrbios de aprendizado.

“A professora sabia que ele tinha problema, mas todos chamavam meu filho de burro. Só eu confiava nele”, conta Maria Fernanda.

Ainda arredio, mas em franca evolução, Pedro Paulo está mais atento e já ganhou um passeio com os colegas como recompensa. Roteiros em parques, teatros e museus são algumas das formas que o centro dispõe de motivar a garotada. O tempo de recuperação de cada criança depende, claro, da patologia enfrentada. Mas Denise esclarece que toda a estrutura terapêutica do Corbi funciona melhor se os pais também forem mais atenciosos e, por isso, são tão incentivados a participarem do convívio escolar e do centro de orientação. Quando estão ao lado dos pais, segundo o Corbi, em um ano, as crianças com distúrbios de comportamento e aprendizado já apresentam melhoras.

Os casos bem-sucedidos de alunos que melhoram o desempenho depois de entrarem no Corbi se espalham rapidamente. Hoje há 250 pessoas na fila em busca por vagas. Podem precisar de mais de dois anos de espera. Agora mesmo, o Corbi tenta um convênio com a Fundação da Infância e Adolescência, do governo estadual, para ampliar a capacidade de atendimento em cem vagas. Por outro lado, o convênio com a prefeitura do Rio, que garante dois terços do trabalho do centro, está ameaçado pela demora de renovação no contrato. Mais do que nunca, o apoio do voluntariado é fundamental. “A locadora de vídeo da vizinhança nos empresta os filmes para as crianças assistirem. A padaria do bairro, a sorveteria do Morro da Fazendinha e até grandes empresários nos ajudam. Tínhamos bons patrocínios de importantes empresas, mas a crise mundial nos fez perdê-los”, conta Denise, citando uma das 12 favelas do Complexo do Alemão que, juntas, abrigam cerca de 70 mil pessoas, segundo estimativa da prefeitura.

 

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