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Uma nova era digital


Celular, softwares e aplicativos funcionais prometem revolucionar a comunicação das pessoas com deficiência visual


Por Miriam Temperani

Nunca se teve tantas notícias de estudos para desenvolvimento de novos aplicativos, aparelhos e softwares que prometem ajudar (e muito) na inclusão digital das pessoas com deficiência visual. E o melhor: não só no exterior. Universidades brasileiras contam com incentivo governamental e de empresas privadas para o desenvolvimento de novas tecnologias que possibilitam uma melhor comunicação e integração de todos.

O Departamento de Ciências da Computação da Universidade Estadual Paulista (UNESP) desenvolveu um console em braille que permite aos cegos o acesso ao conteúdo de páginas da internet. Trata-se de um dispositivo eletromecânico que se reconfigura em tempo real, permitindo a exibição de todos os sinais do alfabeto em braille, em uma matriz em que os pontos se elevam e abaixam, traduzindo o que está escrito nas páginas da web. A grande inovação, porém, é que a pessoa com deficiência visual não terá mais que imprimir os textos comuns da internet que se modificam ao longo do dia em impressoras especiais para ler.

O projeto que leva o nome de "Desenvolvimento de um dispositivo anagliptográfico para inclusão digital de cegos" é coordenado por José Márcio Machado, professor do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da universidade, que explica a origem do nome complicado. "Somos orientados a escolher termos dentro da língua portuguesa para projetos científicos e a palavra anagliptográfico representa o mesmo que braille em português, por isso o uso do termo", explica Machado. A pesquisa conta ainda com a participação do professor Mário Luiz Tronco, especialista em robótica.

Tronco, especialista em robótica. Segundo o professor Machado, o Brasil não é o único país a desenvolver algo nesse sentido, os japoneses também têm um projeto semelhante, a diferença está no tipo de tecnologia empregada. "A tecnologia japonesa é mais cara de se implementar comparada com a nossa. Temos recebido grande acolhida e teve repercussão no 'Conference on Ecological Modelling', que foi realizado em setembro na China.

Em fase de finalização, a próxima etapa é a fabricação de mais protótipos para os testes com o usuário final. "A intenção do projeto é atender o maior número de indivíduos possíveis, mas para isso, é essencial o teste com pessoas com essa deficiência para que deem seu aval. No momento, só temos um protótipo, mas estamos em busca de um fabricante para produção em larga escala", afirma José Márcio Machado.

 

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