 A Esperança Do Século XXI
Os estudos de células-tronco têm sido a promessa de cura e melhorias para determinadas doenças Por Priscila Sampaio
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| Clara tem paralisia cerebral, mas começa a se recupar |
Há quanto tempo falamos de células-tronco? O mais comentado é pelo menos desde maio de 2008, quando o Superior Tribunal Federal liberou o estudo de células embrionárias no Brasil. Mas existem também pesquisas e aplicações para tratamento com células adultas retiradas do cordão umbilical, e seus resultados são significantes.
O tratamento com esse tipo de células é a esperança para o casal Carlos e Aline Pereira, pais da pequena Clara, conhecida como Clarinha, de 1 ano e 11 meses. Ela sofreu paralisia cerebral ao nascer. Teve toda sua coordenação motora, equilíbrio, aparelho digestivo e fala afetados. Com esse quadro os pais buscaram pela internet tratamentos que melhorassem sua qualidade de vida, e a pesquisa os levou à Beike Biotech, empresa-hospital da Universidade de Guangzhou, na China, que oferece procedimentos médicos com células-tronco adultas de cordão umbilical.
Carlos entrou em contato com a empresa, que enviou um extenso questionário sobre a menina, além de solicitar exames complexos, detalhando sua patologia, para verificar se havia a possibilidade de tratamento. A empresa concluiu que era válido, então autorizou a ida da família do estado de Pernambuco para o país chinês. A partir disso, Carlos e Aline iniciaram uma campanha para arrecadar fundos a fim de pagar a viagem e o hospital. Embarcaram no mês de maio deste ano e Clarinha recebeu seis injeções de células-tronco adultas. Segundo os pais, a menina manifestou melhoras em menos de um mês, após as aplicações.
“Depois dos procedimentos, Clara tem melhorado a cada dia. Hoje come qualquer tipo de alimento, tem ganhado peso e pronuncia sílabas simples. O tronco está mais firme e ela até consegue manter por certo tempo a cabeça ereta”, afirma Carlos.
Quase todas as injeções de células-tronco foram aplicadas na coluna vertebral, direto no líquido cefalorraquidiano, que banha o cérebro. Clara recebeu a terapia celular que poderá regenerar parte dos tecidos cerebrais prejudicados. Marimélia Porcionatto, professora de Biologia Molecular da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) acredita que esse tipo de procedimento clínico é precoce e diz que não há garantias de sucesso. “Nós sabemos do potencial das células-tronco tanto embrionárias como adultas, mas está em desenvolvimento, ainda estamos aprendendo a manipulação genética e os estudos devem passar por protocolos de segurança, para que não haja riscos ao seres humanos.”, afirma a professora.
O mesmo ponto de vista é partilhado por Lygia Pereira, professora doutora do Departamento Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP). Lygia afirma que esses procedimentos realizados na China não possuem credibilidade por não serem reconhecidos pela comunidade científica. Os cientistas chineses não divulgam suas pesquisas. “No Brasil, assim como nos Estados Unidos, todos os estudos de células-tronco são protocolados e qualquer procedimento clínico é gratuito por não serem reconhecidos. Como não temos o número real de crianças submetidas a essas aplicações, as que são cobradas, não posso dizer que o caso de Clara pode ter sido um avanço na medicina chinesa.”, analisa.
“Para minha filha melhorar ela precisa fazer essas terapias e estimular seu cérebro com as suas novas células. Desde o início da nossa luta pela recuperação de Clara, procurei por tratamentos sérios e eficazes, jamais colocaria a vida de minha filha em risco. Acredito que os especialistas brasileiros deveriam ir à China e conhecer o trabalho que estão realizando com células-tronco umbilicais e, a partir disso, formarem opiniões”, conclui Carlos Pereira.
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