 ARTE PROMOVE INCLUSÃO SOCIAL
Através de três personagens, conseguimos entender que a manifestação artística pode auxiliar os seres humanos e, em particular, as pessoas com deficiência Por Tatiana Lichtig
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Três histórias desiguais. José Ribeiro Lopes, Marina Guimarães e José Albertoni Orsi não se conhecem, porém possuem algo em comum: a arte. De acordo com Leila Cury Tardivo, professora e doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), a manifestação artística, seja no teatro, na dança, na pintura ou na música, promove o desenvolvimento das capacidades humanas, gerando o contato do artista com ele mesmo. "Ela gera potencial de comunicação, expressão e sentimentos. É um meio de lidar com as deficiências e com a superação, trazendo assim a verdadeira inclusão social, principalmente para pessoas deficientes", explica a psicóloga da USP. Além disso, segundo a professora, esta manifestação também estimula a independência e a autoestima "A arte usa o circuito do prazer, que além de ajudar a superar dificuldades e complexos, também colabora para o fortalecimento do sistema imunológico. É uma forma de inclusão com valorização do indivíduo!", completa Leila.
Superando limites
Marina Guimarães é nutricionista com pós-graduação. Deficiente visual, hoje tem 23 anos e atua como professora da Associação de Ballet e Artes para Cegos Fernanda Bianchini. Passou mais da metade de sua vida dedicada ao balé clássico. Porém, Marina não é uma bailarina comum. Ela 'enxerga' os passos com as mãos, tateando-os. A dedicada dançarina iniciou sua carreira em 1997, no Instituto Padre Chico "Eu desperto uma curiosidade nas pessoas, porque o balé é uma atividade difícil, ainda mais para um deficiente visual que não tem a referência do espelho para se corrigir. O espelho é o professor", diz Marina. Para a professora-bailarina, tudo é possível quando existe uma oportunidade e confiança. E o balé proporcionou, além desta chance, a melhora no seu equilíbrio, postura, mobilidade com melhor percepção do espaço e, finalmente, a evolução da autoestima. "Aprendemos a nos maquiar, arrumar o cabelo e até a fazer o coque de bailarina". Como professora, Marina, confessa que esta atividade é um desafio muito grande, mas proporciona um amadurecimento considerável. "Dar aula me fez 'ver' muitas coisas. Corrijo as alunas, e ao mesmo tempo, também me corrijo. Lidar com elas é uma superação".
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