 Educar na diversidade é aceitar desafios
Alunos deficientes e não deficientes na mesma sala de aula. Muito mais do que um sonho: essa já é a realidade para alguns brasileiros Por Katia Deutner
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Garoto Luiz Felipe em sala de aula, em Contagem, Minas Gerais |
" A experiência mais significativa foi em 2008, na Escola Municipal Heitor Villa Lobos, onde trabalhei com uma criança com deficiência intelectual de seis anos, o Luiz Felipe. Foi uma vivência nova, toda a minha experiência parecia ser mínima no cotidiano da sala de aula. Posso dizer que minha visão como educadora mudou completamente." Este é o relato de Maria Eugênia Aleixo, professora e psicóloga, que participou do Curso de Atualização em Atendimento Educacional Especializado para a Deficiência Mental, em uma parceria com a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), a Fundação ArcelorMittal Brasil e a Secretaria de Educação de Contagem, em Minas Gerais.
Assim como Eugênia, milhares de educadores têm dificuldades com alunos deficientes. De acordo com o Censo Escolar de 2008, realizado pelo Ministério da Educação, 54% dos estudantes com deficiência, estão fazendo aulas em escolas comuns do ensino regular, enquanto o número de alunos matriculados em classes especiais baixou para 46%. Isso representa um avanço para a inclusão escolar.
"Este curso me proporcionou uma reflexão aprofundada sobre o processo de inclusão e o atendimento educacional especializado. Mudou o meu conceito de educação e práticas educativas em sala de aula", completa a professora. O reflexo do aprendizado no curso de capacitação fez com que Eugênia mudasse bastante as aulas - desde a disposição das crianças até a execução de atividades que deveriam atender não somente uma classe ou um aluno com deficiência e sim a diversidade."Trabalhei muito com as crianças o resgate e a formação de valores."
As mudanças não ocorrem somente em Minas Gerais. O Brasil inteiro está mudando. De acordo com o relatório "Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 - O Direito de Aprender", do Unicef, houve um aumento de cerca de 597% no número de matrículas de crianças com deficiência no ensino regular. Isto significa que em 1998 apenas 43.923 alunos estavam na escola. E em 2007, o número subiu para 304.882. Outro dado significativo para a inclusão na educação. "É exatamente essa capacidade demonstrada pelo Brasil, em melhorar os indicadores educacionais, que nos permite afirmar que é possível, sim, universalizar o direito de aprender para todas as crianças e adolescentes. Para que os avanços alcancem cada um deles, é preciso que o país trate de maneira especial as parcelas mais vulneráveis da população, reconhecendo e valorizando a nossa diversidade", diz Marie-Pierre Poirier, representante do Unicef no Brasil.
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