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entrevista

Autoestima no sobrenome


A história comovente de Laura Marques, uma lutadora que enfrenta o duplo preconceito de ser negra e anã, dando uma lição de vida, fé e bom humor, a quem está à sua volta


Por Gisela Rao Fotos Divulgação

Lampreira". Esse era um termo que minha avó baiana usava quando queria dizer que uma pessoa era muito dinâmica, esperta e inquieta. E essa foi a palavra que me veio à cabeça, quando comecei a entrevistar Laurinha. Por quê? Ela é dona de uma alegria contagiante e de uma história de vida tão bonita, que deveria parar na tela do cinema. Quando nasceu, pequenina e molinha, a amiga de sua mãe disse: "Largue mão dessa menina, ela não vai se criar. Não vai vingar, não...".

Mas, como já diziam os Beatles - "All we need is love" - foi com muito amor e carinho que Dona Isabel criou esse pedacinho de gente, que viria a se tornar um ser humano maravilhoso e admirado por um batalhão de pessoas em Teresina, Piauí.

A rotina de Laura, apesar de anã, é igual à de muitos brasileiros. Ela acorda, toma banho, faz o café, pega ônibus e vai trabalhar, vendendo, aqui e ali, acessórios em prata, sandálias magnéticas, cosméticos e até colchão. Com uma clientela fiel, a pequena notável consegue se manter e divide suas atividades entre vendas e palestras de autoestima pelo Brasil afora.

Para Fernanda Basílio, 53, aposentada, ter uma amiga como Laura Marques chega a ser uma benção. "Laurinha é extremamente batalhadora, não se queixa de nada. Ela procura pedir ajuda pra gente o mínimo possível. Até o jeito de vender as coisas, não incomoda ninguém. Ela nunca fica se fazendo de vítima. É super animada, pra cima e extremamente vaidosa. Quando desmancha o cabelo, fica doida dizendo que parece que foi eletrocutada (risos). Ela tem muitos fãs. E merece!" - afirma.

Entrevistar Laura foi mais do que um bate-papo para a matéria, foi uma lição de humildade, força, coragem e confiança, que certamente vai mudar a vida de muitas pessoas porque, acredite, a minha já mudou. Leia e emocione-se!

Revista Sentidos: Como foi a sua infância?
Laura Marques:
Não me lembro muito. Meus pais sempre me trataram como os outros irmãos. São 6 normais e eu e minha irmã, anãs. Eu fazia folia como todo mundo e, às vezes, dava problema. Um dia fui pular a janela e chamei meu irmão caçula. Mas esqueci da minha altura. Eu passei, ele bateu a cabeça no batente da janela e rachou o coco. Sangrou à beça. Minha mãe ficou danada. Meu maior problema era alcançar o chuveiro (risos).

RS: Como é o seu dia-a-dia?
LM:
Acordo, assisto aos jornais para ver se não tem greve de ônibus, porque pego quatro! Aí, vou pra rua, para os tribunais, assembleias vender produtos e, às vezes, dar palestras. Minha fama como palestrante alastra de boca em boca, principalmente pelos amigos. Eu acho que ter amigos é muito melhor que ter dinheiro. Se eu precisar de um amigo para me deixar na rodoviária ou no aeroporto sempre tenho.

Não tenho emprego fixo, ganho do que trabalho, tenho apartamento no meu nome e até cartão Visa Gold (risos). E tenho a certeza de que vou melhorar muito.

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