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Surdos, sim!


5,7 milhões de pessoas têm deficiência auditiva no país e são tão competentes e profissionais quanto qualquer um!


Por Renata Rode Fotos Máximo Jr.

Celso Badin, Michelle Cavalcanti e Paulo Vieira

"QUANDO PEQUENO, EU ERA MUITO NERVOSO, JÁ QUE MINHA COMUNICAÇÃO COM MEUS FAMILIARES ERA PÉSSIMA. POR SORTE, MEU IRMÃO MÁRIO E EU INVENTAMOS UMA COMUNICAÇÃO CASEIRA", DESABAFA PAULO

Sim. A realidade é grandiosa em números. Cerca de 24,5 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de incapacidade, que equivale a 14,5% da população total, segundo estatísticas do IBGE. Assim, cresce a linguagem de LIBRAS e cada vez mais adeptos aprendem essa maneira de se comunicar. Aliás, dessa forma nasceu uma nova profissão, a de intérprete tradutor, os ouvintes que acompanham as pessoas com deficiência em quase todos os lugares.

Nesta edição, vamos conhecer três pessoas que representam todos os números que informamos até agora. Michelle Cavalcanti, tradutora e intérprete que trabalha com surdos há anos; Celso Badin, surdo, professor de LIBRAS, autor e escritor e Paulo Vieira, surdo, assistente técnico da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. O que eles têm em comum? A palavra superação e as histórias que vamos contar a seguir dizem tudo.

Bravo guerreiro

Surdo de nascença, já que sua mãe teve rubéola durante a gravidez, podemos dizer que Paulo Vieira é, no mínimo, persistente. O paulistano que na juventude namorou durante cinco anos uma outra surda, quando terminou, se viu em um novo mundo: o dos ouvintes. "Aprendi a linguagem de LIBRAS tardiamente e graças à ajuda de meus amigos, que eram animados e adoravam treinar expressões inusitadas. Atualmente, compreendo o que um ouvinte fala porque entendo leitura labial", conta.

Ele, que já foi casado com uma ouvinte, separou em 2002. Desde então, o difícil é encontrá-lo em casa. Superativo, adora passear, interagir e lutar contra o preconceito na sociedade. "Sofremos muito por conta da barreira de comunicação. Eu e minha amiga surda, Vanessa Vidal, acreditamos que o povo precisa conhecer a realidade e a cultura dos surdos, e tentamos derrubar obstáculos no dia-a-dia", declara Paulo.

De sorriso envolvente, ele está engajado diariamente na luta contra o preconceito, seja por meio de eventos que participa ou de maneira direta, auxiliando pessoas no seu trabalho, na Prefeitura. Na luta pela representação da comunidade surda no país, ele já até se candidatou a deputado. "Não cheguei a me eleger, mas tentei. Hoje, vejo o sol acordar e fico feliz. Trabalho na Secretaria e faço a parte do projeto "Central de LIBRAS", enfim, estou fazendo diferença de alguma forma e isso me alimenta".

De deficiente para deficiente: "A mensagem que quero passar a todos os deficientes é que sejam solidários, pois os surdos têm seus problemas de comunicação, os cegos as barreiras táteis e sonoras, os cadeirantes a luta por uma arquitetura mais consciente, enfim, somos todos iguais. Eu vivo dizendo para meus amigos: 'não olhem para suas limitações físicas ou familiares e alimentem a fortaleza que existe em cada um de vocês'. Para mim, funciona e muito!", diz Paulo Vieira.

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