 Acessibilidade no mundo digital Texto Sibele Oliveira
Para alguns, o computador é somente um equipamento de trabalho e um meio de transmitir mensagens aos amigos, já para pessoas que possuem deficiência nos membros superiores ou visuais, utilizar um PC significa independência e vitória.
É o caso de Anderson Cleiton Motta, de 31 anos. Cego desde que nasceu, ele utiliza o computador diariamente para fazer pesquisas, checar e-mails e se comunicar com amigos por meio de redes sociais, como o Twitter e Orkut. Além disso, Anderson é operador de teleatendimento. Mas como isso é possível?
Hoje há softwares que torna possível a utilização de computadores por qualquer pessoa, independentemente de sua limitação. Para o caso de Anderson, existe o Virtual Vision, que faz a leitura do que está na tela. Outras ferramentas são o Teclado Virtual e o Head Mouse (o mouse movimentado pela cabeça), permitindo que as pessoas com deficiência física utilizem o PC.
Infelizmente, esses aplicativos ainda não são tão comuns nas casas dos usuários, devido o valor dos softwares ou dos computadores. Com essa situação, os governos são obrigados a oferecerem para esse público o acesso ao mundo digital. O Estado de São Paulo, por exemplo, criou o Acessa SP e o Poupatempo.
Com 17 postos de serviço na capital e no interior paulista, o Poupatempo dispõe de terminais de acessibilidade - os chamados E-poupatempos - equipados com o Virtual Vision e webcam de alta definição, que permitem aos usuários tetraplégicos ou com deficiência nos membros superiores usar o computador apenas com os movimentos da cabeça e da face, além de elevadores e rampas de acesso e do atendimento em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para os surdos. Já nas 595 unidades do Acessa São Paulo, espalhadas por todo o Estado, mais de 1100 monitores treinados estão à disposição dos usuários que apresentam algum tipo de deficiência, que hoje representam 4% do público total.
Fazer trabalhos escolares, conhecer novos amigos ou pagar contas são os principais motivos que levam jovens e adultos a utilizar os serviços dos E-poupatempos. Mas também há oportunidade para os que desejam conquistar um emprego. No posto do Acessa São Paulo localizado no Parque da Juventude, zona norte da cidade, existem cursos de capacitação profissional destinados aos cegos, fruto de uma parceria entre o Acessa São Paulo e a Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva). Os monitores passam por um treinamento na Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo (USP), onde são habilitados a ensinar noções de informática básica e manuseio de aplicativos office. Posteriormente, a própria Adeva os encaminha às pessoas com deficiência visual.
Anderson é um dos usuários do posto do Parque da Juventude. O jovem frequentava o Acessa São Paulo diariamente. Embora, hoje, ocupe boa parte do seu tempo na faculdade, vai ao posto pelo menos uma vez por semana com a finalidade de usar a internet. "Para nós, é uma fonte de comunicação a mais, uma ferramenta que veio para nos auxiliar. Lá todo mundo tem acesso livre. Facilita bastante a nossa vida, até porque podemos usar os computadores num tempo hábil para fazer o que precisamos", salienta.
Para Alexandre Araújo, diretor de serviços ao cidadão da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), responsável pelo Poupatempo e Acessa SP, os programas servem para estreitar a convivência entre pessoas com e sem deficiência, já que todos dividem o mesmo espaço, a web contribui para elevar a qualidade de vida. "Conceitualmente sabemos que navegar pela internet estimula a leitura e a busca por novos conhecimentos. Em pesquisas realizadas anualmente pelo Acessa São Paulo, com vários perfis de usuários, com ou sem deficiência, 19% dos pesquisados admitem que o conhecimento de ferramentas disponíveis na internet melhorou a sua vida financeira, até pela relação com a empregabilidade. Alguns apontam que melhora a própria saúde por conta das informações que a internet disponibiliza, e outros garantem que aprimoram sua formação com cursos de graduação e pós-graduação à distância", informa Alexandre.
Foto: Paulo Marques
Você encontrará na edição 58 da revista Sentidos, que chegará às bancas na próxima semana, outros locais de acesso ao computador e histórias de pessoas com deficiência que utilizam esse mundo digital.
Aguardem!
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